«O gato Sunny apareceu na minha vida numa altura muito atribulada e triste. Tinha perdido a minha mãe, a minha cadelinha, bens materiais e estava doente. Ia na rua e vi várias pessoas à volta de um caixote. Algo me fez parar e foi quando disseram-me que alguém tinha atirado para lá um gato depois de lhe baterem. Eu aproximei-me (nunca tinha cuidado de gatos), as pessoas recomendavam-me cuidado e ele, imeditamente, saltou para o meu peito. Era uma bolinha amarela muito magrinha e mal tratada. Tinha, segundo a veterinária a que o levei, cerca de 4 meses.
Ficou internado e no dia seguinte fui vê-lo, ele voltou a abraçar-se a mim. A veterinária disse que era um gatinho que provavelmente não duraria muito por estar mal tratado e ser Felv positivo. Eu não consegui deixá-lo e fiquei com ele. Viveu três anos e meio saudável, fazendo montes de disparates, partindo imensas coisas mas de uma meiguice impressionante. Foi amor à primeira vista por parte dos dois.
Infelizmente, de um momento para o outro, ficou bastante doente, fez várias cirurgias e tratamentos, até que ficou quase sem se alimentar. Tive que começar a levá-lo à caixa de areia e depois lavá-lo com uma toalha. Estava medicado com morfina para as dores e, infelizmente, deixou de ser suficiente. A veterinária aconselhou-me a eutanásia. Eu fui ao consultório algumas vezes com essa intenção, mas depois voltava para trás. Até que um dia uma pessoa muito próxima de mim me perguntou se eu achava que o Ginger, que era um gato fabuloso, cheio de energia e brincalhão, merecia estar a ter um fim tão sofredor e humilhante. Nessa noite, conversei com ele e no dia seguinte tomei a decisão. Estive com ele até ao fim da sua vida terrena.
Fiquei num sofrimento horrivel e uma pessoa amiga falou-me na Rita. Eu hesitei mas, um dia, telefonei-lhe, mandei-lhe os dados que ela me solicitou e marcámos uma consulta. Nessa consulta a Rita, que acabava de conhecer, transmitiu-me o contacto que tinha tido com o Sunny e a mensagem que ele tinha mandado para mim. A mensagem dizia coisas que só o Sunny podia saber e, além do conselho que me dava, não me culpava de nada, até pelo contrário. Fiz o seu luto, mas um luto diferente do que estava a fazer até aquele momento.
E existe uma Cândida antes da comunicação transmitida pela Rita e uma diferente depois. O meu coração acalmou e consegui perdoar-me, porque se fizera algo que não devia ter feito (pô-lo a dormir) tinha-o feito por Amor. E a partir daí sempre que aparecem situações na minha vida menos fáceis, eu tento pensar na mensagem do Sunny e olhar para essas situações com o olhar do Amor e do Perdão. Evoluí espiritualmente, não tenho qualquer dúvida, e tudo tenho feito para continuar essa evolução.
Por isso, estou eternamente grata à Rita e ao trabalho lindo que ela faz. Também sinto imensa gratidão ao meu Sunny por me ter escolhido para cuidadora. Afinal, cuidámos um do outro de formas diferentes! Sei que o Sunny está vivo para sempre no meu coração e, quem sabe, um dia nos possamos encontrar novamente!
Gratidão Rita por seres a pessoa linda que és e por teres aparecido na minha vida. Milhões de beijinhos!»
Cândida, Portugal